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Resenha “A Rosa e o Florete”

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Título: A Rosa e o Florete.

Ano:2016

Editora: Novo Século,

Autora: Mariana Pacheco.

Guilhermina D’anjour é filha de uma austríaca e de um comandante da guarda real francesa. Quando o pai morre deixa em testamento um pedido ao rei Luís: “coloque minha filha em meu lugar”.

Treinada desde os sete anos no manejo do florete Mirna, como o narrador a chama, está pronta para o serviço, mas precisa convencer ao rei e derrotar setenta soldados em combate.

Comprei a história de Mirna bem empolgada na livraria Nobel há alguns meses. A sinopse era bem interessante e eu adoro mulheres protagonizando em meios tidos como exclusivamente masculinos. Então parecia que era meu destino ler a história escrita pela Mariana, mas descobri que tenho algumas coisas a criticar em seu trabalho. Vamos lá:

A autora tem uma escrita madura e segura e de forma nenhuma dá aquela impressão de que “já li esse livro com outro nome e outros personagens” porque seu estilo difere da maioria das autoras contemporâneas, porém o livro é morno, com quase nenhuma emoção. Na minha humilde opinião, é um defeito grave pois o texto trata de um momento histórico onde os ânimos estavam exacerbados: A Revolução Francesa. Era preciso que os momentos críticos fossem mais bem descritos, tinha que ter detalhes das lutas, dos discursos, dos enfrentamentos etc, mas a autora opta por uma narrativa quase harmônica sem chegar a um ápice.

De modo geral, acho que em nenhum dos momentos tratados do livro ela se aprofunda em algo. Faltou fazer um recorte do período histórico porque ela trata em único livro de toda a vida da Guilhermina (exatos 60 anos) do nascimento ao falecimento, passando pela Revolução Francesa e pelas Guerras Napoleônicas. Num capítulo Guilhermina tem 7 anos e no outro já tem 10 e está perdendo um dos pais. De repente se a autora tivesse dividido a história em duas partes teria sido melhor sem dar essa pressa para os fatos se desenvolverem.

Nesse aspecto o que mais quebrou a minha expectativa é que Mirna vence setenta soldados e a descrição das batalhas é quase nula. Faltou pesquisar luta de espadas no YouTube para narrar as lutas. Nessa altura da história outra coisa me desapontou um pouco: todos, com a exceção de um soldado, aceitaram na boa ter uma mulher como comandante, ao contrário do que eu imaginaria, pois ser derrotado por uma adolescente deveria ter ferido o orgulho deles e criado muitos problemas para a moça. No entanto a autora opta por formar um grupo parecido com os “três mosqueteiros” onde Mirna era a mandachuva.

Fora isso, acho que Mariana pode ter um grande futuro como escritora. Não sei se é seu primeiro livro, mas o domínio que apresenta dos elementos narrativos (personagens, enredo, narrador etc) deixaram a trama bem amarradinha. Para ficar perfeito, sugiro apenas que passe mais tempo descrevendo as partes mais importantes sem ter pressa de terminar.

 

Aleska Lemos.

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1 thought on “Resenha “A Rosa e o Florete””

  1. Interessante!
    Livros baseados em fatos históricos correm esses riscos de escrita mesmo, mas mesmo as impressões dadas com relação a alguns elementos que carecem de mais estudos, não tiraram o mérito da autora em sua escrita assim como não perdeu o atrativo do livro.
    E belo blog! Espero ler mais resenhas para ter dicas de livros hahaha Nunca é demais comprar e ler mais e mais =P

    Curtir

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