livro

10 anos com Mafalda

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 Editora: wmf Martins Fontes

 Ano:2017

Comprei essa compilação de tirinhas da Mafalda um pouquinho antes da Blackfriday. Queria ter comprado a coleção completa, de metida que sou (risos) porque nem era fã antes, era só por curiosidade. No entanto agora sou fã dessa menina questionadora que toca na ferida da humanidade (acho que é mais um rombo, tipo rajada de metralhadora).

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No ínicio tem uma entrevista com o autor (Quino) que me surpreendeu, quer dizer um trabalho tão aclamado e bacana deveria ser o xodó do criador né? mas não Quino parou com Mafalda dizendo “Graças a Deus!” porque já estava cansado de fazer a mesma coisa por anos há fio e também porque já estava antipatizando a personagem.corepf4sgix2ymo9i8wtbq0fs

Porém, se o autor já não gosta mais da personagem, o mesmo não se pode dizer do público. Ela era muito usada em campanhas dos DCes da minha faculdade (risos). Outra coisa que me impressionou foi que eu encontrei uma semelhança minha com Quino (também desenho às vezes). O caso é que assim como ele fiquei uns anos sem desenhar, e quando voltei o traço estava melhor (vudu?).

Voltando à vaca fria, além da entrevista o que gostei foi de conhecer cada um dos personagens da tirinha em sua essência, porque o livro era dividido em temas e personagens principais, tais como: “família”, “a rua”, “a escola”, “tv” ou “Guile”, “Susanita”, “Felipe”, “Manolito” etc. Vendo várias tiras de cada um você acaba conhecendo a personalidade deles e por isso se afina mais com uns que com outros. Então vou deixar uma lista dos personagens que mais gostei para vocês:

Mafalda: Além de inteligente, ela tem momentos onde é muito carinhosa com os pais, mas também faz perguntas tão complicadas  que eles precisam tomar litros de “Nervocalm” (o sossega leão da história). A mãe de Mafalda, porém, sofre mais por conta da inteligência da filha, pois como dona de casa, seu papel na família é questionado pela menina.

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Susanita: Gostei bastante dos quadrinhos em que essa personagem aparecia, não por causa dela, porque ela é a caricatura das mulheres de elite preconceituosas, que querem ser as rainhas do lar e esconder a pobreza do mundo. O que me interessa é a ironia que Quino aplica às pessoas que Susanita representa.

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Felipe: Esse é o meu personagem favorito. Procrastinador nato, Felipe odeia fazer a lição de casa e deixa tudo para última hora. No entanto é um menino inteligente e esforçado que sempre se supera na escola. O que me encantou nele é a ingenuidade de seu pensamento e sua capacidade de imaginar coisas. Seu maior defeito é acreditar em coisas absurdas.

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Só sinto pena do Felipe porque a Susanita quer que ele seja o marido dela quando crescerem. Ninguém merece…

Manolito: O maior mercenário da tirinha também é um dos mais engraçados. É o único que odeia os beatles que faz propaganda do armazém do pai durante uma piada (elas tem intervalos comerciais), usa argumentos toscos para convencer a comprarem em seu armazém e sonha em ter uma rede de supermercados. O que mais gosto nele é a rixa com a Susanita, o único que diz umas boas verdades para ela.Coxinha Nerd_84ff92109674a804fa572a52a2f16a68

O que acho engraçado é que Manolito me parece o tipo de cara que a Susanita quer para casar, no entanto ela não percebe isso. Fico imaginando se no futuro, caso Quino quisesse escrever como eles ficaram, se ela não acabaria casando com esse querido mercenário.

Bom, gente, por hoje é só, espero que tenham gostado! Boa semana a todos.

Aleska Lemos.

 

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Resenha: Amor & Gelato – Jenna Evans Welch

 

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Título: Amor & Gelato

Autora: Jenna Evans Welch

Editora: Intrínseca

Ano: 2017

Número de Páginas: 320

Em Amor & Gelato conhecemos Lina, uma jovem de 16 anos que acabou de perder a mãe para um câncer. Ao se comprometer com uma promessa que fez para sua mãe, Lina vai para a Itália passar o verão. A vida toda de Lina sempre foi ao lado da mãe, que nunca fez menção ao seu pai, e ao chegar na Itália, a menina dá de cara com o seu pai, que aparentemente nunca quis conhecê-la e que agora terá que cuidar dela.

Com tantos acontecimentos, Lina se vê cansada e confusa. E além de parar na casa do pai que é num cemitério, ter um vizinho que mora numa casa de biscoitos, Lina recebe um presente da mãe, um diário da época em que conheceu o pai de Lina.

Com uma narrativa envolvente e alternada entre passado e futuro, com partes dos escritos do diário, nos vemos curiosos para saber o desenrolar da história, os motivos para o pai de Lina nunca procurá-la e porque só dias antes da morte da mãe, a mesma começou a dividir momentos sobre o pai de Lina. Também nos deparamos com cenas lindas sobre a Itália. Uma Itália iluminada, com amor e muito sorvete, com jovens animados e pontos turísticos que queremos adicionar a lista de lugares que queremos conhecer.

O romance acontece um pouco rápido do que estou acostumada, mas nada que não seja fofo e que não nos faça suspirar. O mocinho é um principezinho, é aquele que se preocupa, que ajuda, amigo e que está ao lado em todas as horas, sejam para tomar um gelato ou para ajudar a desvendar mistérios do diário.

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Amor & Gelato nos apresenta uma história leve, com alguns mistérios e romance. Se você procura um livro com uma história gostosa com paisagem lindas, recomendo se aventurar com Lina pela Itália.

Beijos,

Thaisa Napolitano 

livro

Resenha: Uma Sombra Ardente e Brilhante – Jessica Cluess

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Título: Uma Sombra Ardente e Brilhante

Autora: Jessica Cluess

Editora: Galera Record

Ano: 2017

Número de Páginas: 336

Uma Sombra Ardente e Brilhante é um lançamento da Editora Galera e é uma fantasia repleta de magia, feiticeiros e magos. Impossível ler e não ter referências de Harry Potter.  A história se passa em Londres, com a protagonista, Henrietta Howel que é uma jovem que possui um poder distinto, capaz de gerar fogo.

Henrietta é professora em um internato para meninas, que sempre tentava proteger as alunas das injustas e duras regras impostas pelo diretor. Henrietta possui um poder de gerar chamas em momentos de perigo e estresse, por não entender seus poderes, ela não consegue controlá-lo e esconde de seus superiores. Mas quando ocorre um encontro com uma medonha criatura, Henrietta usa seu poder para salvar seu melhor amigo, Rook, e com isso, um feiticeiro a descobre e a leva para Londres.

Em Londres, a jovem começa ter respostas de tantas perguntas, e se depara com uma profecia, na qual uma jovem feiticeira se ergueria em tempos de guerra para salvar a nação dos ancestrais. E aí surge uma nova questão: Seria ela a feiticeira da tal profecia?

O livro é muito bem escrito, é uma narrativa que te prende e é bastante fluida. As cenas de ação são bem descritas, assim como a descrição dos poderes em ação. Os personagens secundários são bem desenvolvidos, e conseguimos imaginar claramente suas personalidades. Nossa protagonista é uma jovem forte, negra, que passou por momentos de sofrimento, órfã, foi morar com a tia quando pequena, que não gostava dela, e que vive em uma sociedade machista, na qual só quem pode usar poderes são homens. Num lugar onde só existem feiticeiros, Henrietta tem que mostrar que é capaz de ser uma grande feiticeira. Em partes do livro, vemos nossa Henrietta confusa, com raiva, buscando respostas para suas perguntas e momentos de felicidade, de carinho e que percebemos que nossa girl power tem também seus altos e baixos.

Meu gênero literário preferido é romance, mas essa fantasia entrou para a lista de melhores livros do ano. Estou ansiosa para ver o desenrolar da história, uma leitura rica em magia, aventuras, mistérios, feiticeiros e magos.

Este livro veio de um clube de assinatura que faço há 5 meses e todo mês vem um livro surpresa do gênero jovem adulto, recém lançado. Turista Literário é uma malinha cheia de surpresas, é uma aventura literária sensorial. Na mala vem itens que estimulam nossos sentidos. Na malinha do mês de outubro os itens recebidos foram:

  • Pacote dos Sonhos by Fenswick:
    Um sachê composto de ervas aromáticas que ajudam no sono, com cheiro de ervas e roseiras. Um item que estimula o olfato e o tato.
  • Caramelos do Agrippa:
    Para estimular o paladar, um pacotinho de balas de caramelo que o Agrippa usa para presentear as crianças enquanto testa se elas possuem algum poder secreto.
  • Playlist:
    Item para estimular a audição, uma lista de músicas no Spotify.
  • Livro:
    Uma Sombra Ardente e Brilhante, para estimular a nossa visão.
  • Souvenir de viagem:
    Um porta treco com arte que remetem elementos da história.
  • Conteúdos extras no site para os assinantes.Uma Sombra Ardente e Brilhante é uma fantasia maravilhosa! Amei a malinha desse mês e seu conteúdo. Se você quer uma leitura rica, mágica e cheia de aventuras, não perca tempo, leia este livro!

    Beijos,

    Thaisa Napolitano

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Malinha do clube de assinatura Turista Literário e seus itens
livro, Sem categoria

Resenha: O Arqueiro

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Autor: Bernard Cornwell

Série: A busca do Graal

Editora: Record

Sinopse do Skoob: Thomas de Hookton, hábil e corajoso arqueiro inglês, deixa as fileiras do exército e parte em uma missão que o leva em viagens entre a Escócia e a França. O jovem segue a trilha do mítico Santo Graal, com a bênção da coroa britânica, e em seu caminho enfrenta inúmeros inimigos e aventuras. Perigos e adversários que o conduzem a outra busca: a de suas verdadeiras origens, ligadas a uma misteriosa família nobre que, por séculos, teria sido a guardiã da mais sagrada das relíquias cristãs, mas que tinha caído na desgraça da heresia.

Já fazia alguns anos que queria ler este livro. Eu, toda errada, tinha começado a ler a aventura pelo segundo livro, mas não havia entendido muitas coisas. Aí há uns meses aproveitei um super desconto (nem lembro onde) e adquiri os três livros da coleção! Infelizmente só agora pude pegar a história para entender o que perdi.

É claro que gostei do livro. Cornwell é o rei dos romances históricos, mas acho que o segundo livro da trilogia (” O Andarilho”) é mais empolgante. Em outras palavras, encare  “O Arqueiro” como um prólogo e espere o ápice nos próximos volumes. No entanto, esteja preparado para longas e super detalhadas cenas de batalha que vão te deixar num expectativa muito alta até o final.

Aliás, a super descrição das lutas e invasões de cidades te fazem ver um filminho na sua cabeça. O que me incomoda é como a violência e o estupro são naturalizados. É claro que os heróis de Cornwell não compartilham  desses valores deturpados, mas o resto do elenco parece achar muito normal. Quer dizer, de fato o tempo que o autor retrata era assim: tomava-se a cidade e depois a humilhava, estuprando suas mulheres para exaltar o poderio bélico do povo invasor. Entendo que Cornwell queira ser fiel à História, mas como leitora e como mulher não posso deixar de me sensibilizar e de estranhar.

Porém,neste livro nem todas as mulheres são tão passivas a ponto de só aparecerem para serem violentadas. A condessa da Armórica, por exemplo, lutou contra a invasão inglesa em La Roche Derrien e tem importância significativa nas subtramas. Embora ela também sofra com o patriarcado, não é capaz de desistir de lutar. Tenho a impressão de que ela seria um melhor par romântico para o herói do que a atual namorada de Thomas, porém, ao que tudo indica muitas águas vão rolar até que eles estejam maduros e preparados para um relacionamento, ou então o autor matará um dos dois e essa reflexão minha não passou de uma viagem (risos).

Ah sim! Eu já ía terminar essa resenha sem falar do herói, mas abramos um espacinho para Thomas de Hookton: bastardo de um padre, mas tratado como filho legítimo, Tom é um pedaço de mal caminho com longos cabelos negros  um arqueiro inglês pouco temente a Deus. Por um infeliz acaso do destino é obrigado a procurar relíquias cristãs e se mete em várias confusões, faz aliados inesperados e nos arranca risos com suas críticas à cristandade e identificação com suas fragilidades. Neste primeiro livro ele parece ser bem imaturo, mas como já li o segundo, sei que a coisa vai melhorando para ele, e é gostoso vê-lo tornar-se homem.

Espero ter feito jus ao livro e também espero ter te convencido a ler porque é bem provável que eu volte a resenhar o resto da trilogia.

Um abraço, Aleska Lemos.

livro

Resenha: Um Mais Um – Jojo Moyes

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Título: Um Mais Um

Autora: Jojo Moyes

Editora: Intrínseca

Ano: 2015 – 1ª Edição

Número de Páginas: 320

Em Um Mais Um, Jojo Moyes conta para nós a história de Jessica Thomas, uma mãe super dedicada, que teve sua primeira filha antes dos dezoito anos. Jess, além de cuidar de sua filha, também cuida de seu enteado, Nicky. O pai das crianças, Marty, saiu de casa e não voltou mais. Sem receber ajuda financeira de seu ex-marido, Jess tem que trabalhar em dois empregos, de dia Jess é faxineira e à noite, trabalha como garçonete em um pub, para poder sustentar a casa e seus filhos.

Costanza, conhecida como Tanzie, tem apenas 10 anos e é um gênio da matemática, uma menina que ama os números, direta em suas palavras e que não se encaixa no perfil de meninas de sua idade. Tanzie foi a minha personagem preferida do livro. Ela é verdadeira, a autora descreve tão bem as cenas e sensações que me fez crer que já conhecia a pequena Tanzie há muito tempo. Tanzie ganha a oportunidade de estudar em uma boa escola, mesmo com bolsa de 90%, Jess não tem como arcar com as despesas, mas uma oportunidade surge, a de Tanzie participar de uma Olimpíada de Matemática e quem sabe ganhar o prêmio em dinheiro.

Nicky, tem dezesseis anos e sofre bullying por ser diferente, anda sempre com os ombros para baixo, triste e sem entender porque as pessoas maltratam tanto as que são diferentes. Nicky é um personagem que cresce ao longo da narrativa, é nítida a sua mudança e vemos como sua relação com Jess melhora, um adolescente fechado, que reprimia seus sentimentos, e que começa a sorrir e a dizer o que pensa.

Ed Nicholls, é um milionário que também está cheio de problemas. Acusado por fornecer informações privilegiadas sobre sua própria empresa, Ed está correndo o risco de perder tudo e ir para a cadeia, além desse grande problema, seu pai está mal de saúde e mesmo precisando estar perto da família, Ed vai se afastando e evitando cada vez mais o contato com seus pais.

Para retribuir um favor, Ed dá carona para a família Thomas e para o cachorro deles, Norman, para a Escócia, e nessa viagem Ed e Jess dão de cara com realidade financeiras distintas, problemas reais e um amor que vai crescendo entre eles.

… mas de algum modo, a soma dos dois resultaria em algo melhor. Eles fariam tudo dar certo.”

 

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O romance entre os protagonistas apesar de ser clichê, eu gostei bastante pois é um amor que nasce na convivência entre os dois. Deixamos de nos importar com o clichê quando assuntos delicados são abordados com bastante simplicidade, mas que não deixam a importância desses assuntos de lado. Moyes aborda sobre bullying, relação entre pais e filhos, divórcio, relacionamento familiar, a realidade de diversas mulheres que são mãe e pai, que suam para dar o pouco que pode para os filhos, união, generosidade de terceiros, gratidão e fé.

Um Mais Um é o segundo livro que li da Jojo Moyes. O primeiro livro foi Como Eu Era Antes de Você, que foi para as telas do cinema, ainda não vi o filme, porque sei que irei chorar tanto quanto chorei lendo o livro.

Este é um romance que nos faz suspirar com sua simplicidade, uma história com dramas reais, que nos ensina lições valiosas e nos mostra que nossas atitudes podem sim mudar as coisas. Com certeza esse livro vai para a lista dos melhores livros que li esse ano e se você procura um livro recheado de bom humor, com diálogos inteligentes, uma narrativa envolvente e um romance sublime, esse livro é ideal. Venha se aventurar com a família Thomas e Ed para a Escócia, com certeza você voltará dessa viagem com a fé renovada.

Thaisa Napolitano

Filme, livro

Dia da Consciência Negra

Nós do blog “Aventureiras Literárias” somos todas brancas, é verdade, mas não é por isso que não podemos reconhecer a importância da data de hoje. Conheço pessoas que dizem que é bobagem ter feriado em homenagem aos afrodescendentes, que é só mais um motivo para não ir trabalhar e que não significa nada. Essas pessoas, porém, estão equivocadas; o Dia da Consciência Negra é uma vitória, porque consagrou a história dos povos africanos na memória do Brasil, coisa que vergonhosamente já se tentou esconder no passado¹.

A luta contra o preconceito racial é muito importante, mas não vou fingir que sei muito do assunto. Por mais que eu tenha lido e ouvido pessoas que sofrem discriminação eu nunca senti na pele o que eles passam todos os dias, mas acredito que tudo o que aprendi me tornou mais humana e mais empática. Dessa maneira acho muito válido que todos nós nos permitamos ser mudados, ouvindo mais o que os discriminados pensam.

Por essa razão, eu e Thaísa fizemos uma listinha de recomendações, para ajudar você a  refletir e celebrar essa data:

1- Para criar crianças feminista- ótimo livro da Chimananda Adichie que traz reflexões sobre os padrões de gênero na infância. Além de falar sobre feminismo a autora também é actuante no movimento negro e vale muito a pena conhecer seu trabalho.1353877-350x360

2- O ódio que você semeia- Esse livro foi resenhado aqui há poucas semanas pela Thaísa e conta a realidade de uma menina negra que convive entre brancos.

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3- A vida Secreta das Abelhas- Ah é um lindo e dolorido filme! Dakota Fanning e Queen Latifah estão realmente especiais nesse longa. Não vou dizer mais nada!

4- Filme: O Contador de Histórias- Esse é um dos meus queridos. Filme nacional baseado em história verídica, conta a história de um menino pobre doado pela mãe à tutela do Estado para fugir da miséria. Ele quase vira bandido, não fosse a intervenção de uma professora francesa que o adota e usa seus relatos em sua dissertação de mestrado. É uma bela história sobre a injusta realidade do nosso país.19873998

5- Filmes: Histórias Cruzadas- Ah não tem como não gostar desse filme! Alguns podem dizer que a mocinha branca que resolve entrevistar as empregadas negras fez um papel paternalista, mas acho que tanto ela quanto as empregadas cresceram com a experiência da escrita do livro e Aibileen e Minny é que me pareceram ser as reais protagonistas.

 

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A lista foi modesta, mas vamos fazer assim: se você souber mais algumas dicas sobre o tema, sejam autores negros importantes da atualidade ou livros que falem sobre racismo, escravidão ou mesmo história do povo negro no Brasil e no mundo, deixe nos comentários e contribua! Uma boa tarde reflexiva à todos!

Ass: Aleska Lemos.

 

 

¹ Rui Barbosa mandou queimar documentos sobre a escravidão e houve governos que iniciaram o processo de “branqueamento da população” com a vinda de imigrantes europeus.

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Resenha: Corte de Espinhos e Rosas – Sarah J. Maas

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Título: Corte de Espinhos e Rosas

Autora: Sarah J. Maas

Editora: Galera Record

Ano: 2017 – 6ª Edição

Número de Páginas: 434

Corte de Espinhos e Rosas é uma fantasia envolvente, com aventuras, romance e com muitas reviravoltas. Esse foi o meu primeiro contato com a Sarah J. Maas e posso dizer que foi incrível. Estava com as expectativas altas quando comecei a ler o livro e não me decepcionei, uma trama bem desenvolvida, com personagens cativantes e fortes.

A nossa protagonista é uma jovem, a caçula da família que precisa sustentar seu lar após a inadimplência de seu pai. Falidos, Feyre é a única que caça para alimentar sua família, seu pai não faz nada para ajudar em casa e suas irmãs vivem em um mundo de conto de fadas. Em uma de suas caçadas, Feyre mata um lobo, criando uma revolta em Tamlin, um Grão-Feérico, que mora em Prythian.

Como punição pela vida que tirou, Feyre é levada por Tamlin para Prythian, uma vida em troca de outra. E em sua nova vida, Feyre descobre segredos sobre a “praga” que assombra os feéricos, que na Corte Primaveril, todos usam uma máscara presa ao rosto. Descobre também sensações novas, uma vida muito diferente da sua, com seres diferentes com qual vivia, relembrando lendas que escutou na infância e vendo em parte, se tornarem realidade.

Feyre é uma personagem muito forte, que no meio da trama perdeu sua força, oscilando bastante pela sua história de vida. Uma menina que cuidava da casa, que pensava no pão de cada dia e que de uma hora para outra, se vê cuidada, mesmo com medo, Feyre se entrega a esse novo mundo, a essa nova realidade, dando espaço para aquilo que sempre quis fazer, e que sempre foi importante para si, a pintura.

A história se passa em Prythian, um território dividido em reinos, que possui uma muralha que divide os Grão-Feéricos dos humanos. Uma divisão que foi tomada após uma guerra, onde um queria dominar o outro. A descrição das Cortes que aparecem no livro são bem detalhadas e lindas.

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A narrativa é em primeira pessoa, Feyre nos conta tudo o que se passa ao seu redor e dentro de si. Percebemos que há muitos assuntos que a autora deixa nas entrelinhas, o preconceito é bastante visível entre os humanos e Feéricos. A relação entre pai e filho, a ausência de uma figura paterna que é um tema visto com frequência em histórias de fantasias, o relacionamento amoroso que não precisa ser um conto de fadas e que nem o príncipe precisa nos salvar em seu cavalo branco.

A escrita da autora é viciante, no início, achei bem arrastado, mas quando engata, é impossível parar de ler, ainda mais com tantas coisas que acontecem. O final é surpreendente, aquele final de tirar o fôlego! Corte de Espinhos e Rosas é uma releitura de A Bela e a Fera, mas que não se prende a história que conhecemos e ao lembrar desse detalhe, só consegui fazer referências no início do livro. Este é o primeiro livro de uma série, os três primeiros livros já foram lançados e quando comecei a escrever essa resenha, fiquei sabendo que terá um conto após o terceiro livro, que foi lançado recentemente, e terão mais três livros.

A capa do livro é aveludada e maravilhosa! A Galera Record arrasou! Se você está procurando uma fantasia rica em aventura, seres mágicos, romance e reviravoltas, Corte de Espinhos e Rosas é a escolha certa!

Thaisa Napolitano 

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Resenha: O Ódio que Você Semeia – Angie Thomas

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Título: O Ódio que Você Semeia

Autora: Angie Thomas

Editora: Galera Record

Ano: 2017

Número de Páginas: 378

O Ódio que Você Semeia da autora Angie Thomas é um romance que nos faz questionar se a justiça é cega, que nos faz refletir sobre os problemas, preconceitos que negros sofrem no dia a dia, uma história que nos faz refletir sobre realidades que podem ou não ser nossas.

Starr é uma adolescente de 16 anos que vive em dois mundos. Ela mora num bairro pobre considerado perigoso, e estuda em uma escola particular, onde a maioria dos alunos são brancos. Starr vive em duas realidades que se chocam diariamente, que a fazem se transformar em duas Starrs: A Starr de Garden Heights e a Starr da escola Williamson.

Uma adolescente comum, estudiosa, que vai a festas, possui amigos e que ajuda seu pai trabalhando no mercado da família. Quando tudo parece estar em harmonia, Starr acaba presenciando a morte de seu melhor amigo, seu grande amigo Khalil, com quem cresceu junto. Além do trauma de ver uma pessoa sendo morta, Starr é a única testemunha e logo o caso toma espaço na mídia.

Para Starr, Khalil era seu melhor amigo, que sempre se preocupou com a sua mãe, mas para a mídia, Khalil era um traficante, negro, um bandido desarmado. Julgamentos bombardeiam Khalil, medo bombardeia Starr. Khalil foi morto por um policial, e quando descobrem sobre a testemunha, Starr e sua família sofrem ameaças vindo de vários lados. Ameaças de chefões do tráfico de seu bairro e ameaças de policiais. Todos querem saber a verdade e cabe a Starr dizer o que sabe, dizer o que viu. Mas não é tão simples assim, o que ela disser pode acabar indo contra a sua família, contra seu bairro, e contra aqueles que confiam em Starr, não apenas para fazer justiça à Khalil, mas para mudar a realidade de casos de negros que foram assassinados e que não tiveram justiça e foram esquecidos.

Starr é uma protagonista que cresce ao longo da narrativa. Apesar de traumas passados e com o mais novo trauma, Starr é forte e corajosa para enfrentar depoimentos, tribunais e julgamentos da sociedade. A narrativa está em primeira pessoa, sabemos o que se passa na cabeça da protagonista. Os personagens secundários são bem construídos, nos deixando a par do ambiente e clima que cada personagem nos transmite. Personagens com dramas reais, que vão além de morar em um bairro pobre, que passam por questões de superações, tráfico de drogas, vício em drogas e até violência doméstica.

Indico a todos esse livro. Uma leitura muito fluida, que quando vemos já devoramos facilmente 50 páginas. O que me incomodou um pouco no começo foi o tamanho dos capítulos, achei um pouco longo, mas quando a leitura engata, esquecemos desse detalhe. Como disse no início da resenha, é um livro que nos faz refletir realidades que nem sempre estão em nosso alcance, às vezes são realidades que vemos pela televisão, que podem acabar sendo deturpadas.

O Ódio que Você Semeia será adaptado pela Fox para as telonas e já tem o elenco confirmado. E chegou em primeiro lugar na lista do New York Times na semana em que foi lançado.

Starr me levou para conhecer a sua realidade e me mostrou que “às vezes, as coisas dão errado, mas o importante é continuar fazendo o certo”.

Thaisa Napolitano

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Resenha: Suzy e as Águas-vivas – Ali Benjamin

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Título: Suzy e as Águas-vivas

Autora: Ali Benjamin

Editora: Verus Editora

Ano: 2016

Número de Páginas: 224

Às vezes, quando nos sentimos mais solitários, o mundo decide se abrir de formas mágicas.”

Suzy Swanson é uma menina de apenas 12 anos, esperta, curiosa, que adora ciências e que acabou de perder a sua ex-melhor amiga. A notícia do falecimento de Franny Jackson a abala e fica totalmente desolada quando sua mãe diz que as coisas simplesmente acontecem.

Suzy e Franny eram melhores amigas, mas tinham se afastado de uma forma não muito agradável e mesmo com esse afastamento, Suzy não se convence de que a amiga, que nada super bem, morreu afogada. Por conta disso, Suzy fica em silêncio, acreditando que falar bobagens para preencher o silêncio não são importantes e começa uma busca para encontrar a causa da morte prematura. Suzy é aquela criança que sofre bullying por ser diferente, por não ter passado para a fase de querer se cuidar e se arrumar e sim continuar em querer saber sobre tudo ao seu redor e sobre assuntos um pouco nada comuns.

E, durante todo o tempo, seu coração só continua batendo. Ele faz o que precisa fazer, uma batida após a outra, até receber a mensagem de que é hora de parar, que poderia acontecer daqui a poucos minutos sem que você tenha ideia disso.”

Em um passeio de escola, Suzy acaba sabendo um pouco sobre as águas-vivas e acredita que essa seja a causa, Franny não morreu afogada, ela foi picada por uma água-viva mortal. Após essa conclusão, Suzy aprofunda sua pesquisa sobre criaturas submarinas e tenta encontrar especialistas que confirmem isso, mostrar para as pessoas ao seu redor que as coisas acontecem por algum motivo e não porque simplesmente acontecem.

O livro é narrado por uma criança que mesmo sem falar, estamos por dentro do que se passa com a Suzy através de seus pensamentos. A escrita é bem desenvolvida, fácil e bastante reflexiva, havendo momentos em que voltamos para o passado para sabermos mais sobre a amizade de Suzy e Franny até chegar no rompante da amizade. Suzy está perdida, se sentindo sozinha por conta da recente separação de seus pais e agora a morte de sua amiga. Sabemos de seus medos e suas vontades, Suzy te conquista de uma forma maravilhosa, que dá vontade de entrar no livro e segurar a mão dela e viver as aventuras junto com ela.

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Suzy e as Águas-vivas é um livro cativante, simplesmente maravilhoso, entrou para a minha lista de melhores do ano. Acreditei que seria mais uma leitura leve e bonita, mas não foi apenas isso, é um livro que te faz refletir sobre a vida, sobre a natureza e a imensidão do mundo. Uma história que fala sobre amizade, bullying, crescimento, adolescência, aquela fase em que as meninas começam a gostar dos garotos, e a mudança nos comportamentos que a adolescência nos traz, luto e recomeço. As informações contidas no livro sobre as águas-vivas são reais, e me peguei pesquisando e querendo saber mais sobre a água-viva letal que ela tanto fala. Mesmo com informações científicas, o livro não fica cansativo, para mim só enriqueceu ainda mais a leitura.

Indico esse livro para todo o mundo, para todas as pessoas, é uma leitura para todas as idades, não canso de repetir como esse livro é lindo! Suzy é uma menina corajosa, com sede de sabedoria, que vai te levar a refletir e se emocionar.

Thaisa Napolitano

 

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Resenha: Sorrisos Quebrados – Sofia Silva

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Título: Sorrisos Quebrados

Autora: Sofia Silva

Editora: Valentina

Ano: 2017

Número de Páginas: 232

Sorrisos Quebrados conta uma história triste, traumática e ao mesmo tempo poética. Quando ganhei o livro, não sabia que em suas páginas haviam tantas dores, tantos medos, nos envolvendo e fazendo refletir sobre violência doméstica, abuso sexual, drogas e deficiência. Este é o primeiro livro de Sofia Silva, uma autora portuguesa que aborda assuntos delicados. Nesta história conhecemos Paola e André, personagens que sofrem no passado e tentam reconstruir suas vidas.

Paola vive em uma clínica após ter sofridos grandes traumas. Uma pessoa que tenta colorir sua vida através da pintura, que consegue enxergar luz e verdade na escuridão. André é pai solteiro, um homem trabalhador, que faz de tudo para dar o bom e do melhor para sua pequena filha Sol. Sol é uma criança de apenas 4 anos, uma criança super especial que também possui traumas.

Sol é elo entre esses dois personagens, é a leveza na vida dos dois e no livro. Com a Sol, esquecemos as dores dos personagens e enxergamos a inocência de uma criança, o olhar puro do mundo.

Todo dia é um recomeço.

Todo dia eu renasço.

Todo dia eu me levanto.

Todo dia eu não desisto.

Todo dia eu vivo como se não tivesse 

Todos os dias. “

O livro é dividido em 4 partes, e em cada parte percebemos as lutas de cada personagem, a vontade de querer viver sem medos, de poder confiar em outro alguém e dar seu coração para que cuidem. Todo dia é um recomeço. Todo dia é uma nova chance de deixar seus medos para trás. E é com fluidez que Sofia aborda esses assuntos delicados.

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O livro possui cenas fortes, o prólogo intenso me fez chorar, e também me chocou, uma realidade vivida por tantas mulheres, um problema real que muitos não querem ver. Há também romance e cenas de sexo. Apesar de perceber a luta que Paola tenta vencer em confiar em alguém, em se aproximar de um outro homem, achei que ela acabou se entregando um pouco mais fácil que André. No meu ponto de vista, os traumas de Sofia eram bem maiores, mas quem demorou a ceder e vencer os próprios medos foi André.

Com ele percebi que é na escuridão que brilha o amor verdadeiro, que as palavras verdadeiras reluzem…”

Sorrisos Quebrados é um livro brilhante, chocante e lindo. Com uma personagem forte que não pensa em desistir, que criou o seu próprio mundo através das cores, que acredita que a vida não é mais um dia, e sim feito por pequenos momentos de felicidade. Indico a leitura desse livro, mas se prepare pois você leitor, irá sofrer, se apaixonar e brilhar com as cores de Paola.

Thaisa Napolitano