livro

Resenha: Perdida – Carina Rissi

21176015_10213867508707348_397362152_n

Título: Perdida

Ano: 2013

Edição: 2017

Editora: Verus

Autor: Carina Rissi

Número de Páginas: 364

Hoje venho com a resenha de um livro escrito por uma diva, uma autora brasileira. Sim, esse é o segundo livro que leio dela e posso dizer que ela já conquistou um pedacinho do meu coração. O livro Perdida de Carina Rissi é o primeiro livro de uma série de 4 livros, 5 na verdade, o quinto livro ainda não foi lançado e está no processo de revisão.

Nesse primeiro livro vamos conhecer Sofia, uma jovem trabalhadora, que não acredita no amor e que não consegue viver sem a tecnologia a seu favor. Em uma atrapalhada, Sofia fica sem celular e precisa comprar outro. Ansiosa por ter um celular que faça de tudo, mande email, que avise seus compromissos, que ela possa acessar facilmente todas as suas redes sociais, e claro, fazer ligações! Mas com essa empolgação toda, ela não quer saber a marca que está levando para casa, e esse novo aparelho não é só um celular, ele a leva a viajar no tempo.

Essa história de viagem no tempo é fascinante, gostei bastante! E a trama de Carina é bem escrita, que nos envolve e viajamos juntos com a Sofia. Perdida é um romance que por mais que seja um clichê me encantou de uma forma que acabei sofrendo com as personagens, principalmente com Ian, e teve momentos em que eu gargalhava alto com as trapalhadas de Sofia.

Sofia é uma personagem muito doce, companheira e uma típica trabalhadora, que acaba voltando para o século XIX com a missão de encontrar algo que nem ela sabe o que é, mas ela precisa descobrir  para que possa voltar para casa. Sofia é uma personagem cativante, enérgica, que fala pelo cotovelos, usando muitas gírias, que por vezes achei que ficaram um pouco forçadas, mas que valeu a pena pois as gírias confundiam os personagens do século XIX, criando um diálogo bem humorado para ler.

Voltando ao século XIX, Sofia demora um pouco para entender o que está acontecendo e acaba sendo socorrida por Ian Clarke, um jovem lindo e educado, que aparece montado em um cavalo. Mas Sofia não quer ser salva por um príncipe encantado, ela quer voltar logo para casa. Mesmo sendo fã de Jane Austen, Sofia sabe que o “felizes para sempre” e o príncipe encantado não existem. E que todo o encanto que encontra nos livros, para ela é uma tortura, como usar vestidos quentes e pesados, as convenções sociais, e o pior, uma casinha longe de seu quarto e de casa para ser usado como banheiro, e o pior, usar o que eles usam como papel higiênico.

A história de Sofia mostra sua dependência com a tecnologia e como viver sem ela parece ser impossível, e a lição precisa ser aprendida, para que ela possa voltar para casa, e a lição é mostrar como pequenos feitos, pequenos detalhes do dia a dia podem fazer grande diferença. Mas outra questão surge, quando o que achamos que era casa não é mais a nossa casa, mas sim outro lugar, talvez outro alguém…

21764097_10213998439540537_2001582501_o

Me encantei com a história que a Carina criou. Devorei o livro em dois tempos, me envolvi demais, ri demais, e sofri demais. Como eu queria pegar o Ian no colo, e trazer esse mocinho para minha vida. Ian é um amor, com coração muito nobre, que ama a sua irmã, e sabe de suas responsabilidades. Um cara que mesmo inexperiente com o amor, tenta aprender sobre e só quer amar e ser amado. A relação dele com Sofia é aquela que queremos ter, um amor puro e singelo.

A trama é bem leve, engraçada por conta de Sofia que só se mete em confusão, e também pela sua adaptação em viver sem tecnologias e facilidades que temos atualmente. Recomendo esse livro para quem quer se deliciar com uma história envolvente, leve, romântica e que a relação foge do que esperamos, do que estamos acostumados a ler em romances de época. Quero ler a continuação logo! E além da notícia de que em breve terá resenhas dos próximos livros aqui no blog, a boa novidade é que Perdida vai para as telonas do cinema! Fico muito orgulhosa por esse livro ser escrito por uma brasileira e que alcançará novos públicos!

Thaisa Napolitano

Anúncios
livro

Resenha: A Guerra que Salvou a Minha Vida – Kimberly Brubaker Bradley

20370693_10213535806454999_2072095782_n

Título: A Guerra que Salvou a Minha Vida

Ano: 2017

Editora: DarkSide

Autor: Kimberly Brubaker Bradley

Número de Páginas: 240

Um livro forte, intenso e ao mesmo tempo puro, contado por uma criança que luta em uma guerra dentro de casa. Ada é uma menina com aproximadamente 10 anos (é o que ela acha) que é maltratada pela mãe por possuir um pé torto. Ada mora com sua mãe e seu irmão Jaime que tem 6 anos, moram num pequeno apartamento, onde Ada fica presa, olhando o seu irmão e as pessoas viverem a vida pela janela de seu apartamento.

Ada, faz tudo em casa, cuida do seu irmão como se fosse o seu filho, faz a limpeza e prepara o café da manhã, e faz tudo rastejando por não conseguir andar por conta de seu pé, sentindo fortes dores. E ai dela se reclamar, a mãe a coloca dentro de um armário debaixo da pia e ainda apanha.

Com a ameaça de Londres ser bombardeada, Ada foge junto com Jaime para o interior, junto com outras crianças que foram mandadas pelos pais zelando a segurança deles. E é nessa viagem que a vida de Ada começa, a menina que ficou trancafiada em casa começa a descobrir o mundo, fazendo descobertas que a janela de seu apartamento não lhe proporcionava.

Eles são acolhidos por Susan, que vive com os custos de cavalos de sua falecida amiga que foram vendidos. Jaime e Ada a consideram rica, pois lá eles não passam fome, e tem mais peças de roupas que antes possuíam, e tomam banho todos os dias, uma vida totalmente diferentes da que levavam. E é nessa nova casa, nova vida, que Ada nos conta sua história, suas descobertas e suas novas amizades.

Apesar de Ada ter apenas 10 anos, ela é uma criança muito forte, que aguenta suas dores, que aguentou apanhar de sua mãe, e aguentou o fato de não possuir uma família estruturada e unida. Vemos a personagem crescer, e mesmo tendo pensamentos e questionamentos além de sua idade, Ada tem seus medos, suas birras de criança. É no olhar dela que sentimos o medo de quem está esperando por uma guerra, mesmo lutando a sua própria. É com os olhos de Ada que sentimos a aflição das bombas da segunda guerra, a angustia de entrar em um abrigo e escutar sua cidade, seu novo lar, ser bombardeado.

Mesmo se tratando de guerra, a história não é pesada. O enredo possui uma leveza, que nos envolve já na primeira frase do livro. É contagiante a maneira como Ada nos conta a sua história. É um livro lindo, uma história linda demais, que por vezes me deu vontade de pegar a Ada no colo e aninhá-la.

20400977_10213536013820183_715933840_n

A edição da DarkSide está linda, e os detalhes de botões e retalhos na capa tem tudo a ver com a história. Ada ficará no meu coração e esse com certeza foi um dos melhores livros que li esse ano. A Guerra que Salvou a Minha Vida é uma história de amor ao próximo, de perdas e ganhos na vida, que aborda o preconceito e o desmanche do mesmo, um livro que mudou a minha visão assim que o terminei. Recomendo se aventurar e conhecer um pouco da vida de Ada e a guerra que salvou a vida dela.

Thaisa Napolitano