Filme

Resenha: O JOVEM KARL MARX

 

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Ficha técnica:
Data de lançamento: 2 de março de 2017 (Alemanha)
Direção: Raoul Peck Produtoras: Velvet Film, Artemis Productions, Agat Films & Cie Produção: Raoul Peck, Robert Guédiguian, Rémi Grellety, Nicolas Blanc
Roteiro: Raoul Peck, Pascal Bonitzer, Pierre Hodgson

O filme lançado esse ano na Europa e tão esperado em terras brasileiras, infelizmente não passou nos grandes circuitos de cinema no país. Contudo, rapidamente os cinéfilos encontram uma solução e o filme foi disponibilizado no Youtube e está sendo projetado em escolas, universidades e atividades de bairro.

O Jovem Karl Marx conta a história do polêmico personagem histórico e revolucionário em sua trajetória de vida partindo do momento em que era um jovem jornalista até a publicação de uma das mais importantes obras já escritas: O Manifesto Comunista.

A obra do diretor Raoul Peck apresenta como ponto forte a capacidade de contar a biografia de Marx inserindo-o em seu tempo histórico de maneira muito didática e construindo os personagens de uma maneira que o público se sinta quase que um conhecido de Karl Marx, de Friedrich Engels, Jenny Marx e Mary Burns. Marx e Engels, que conhecemos somente de seus escritos e biografias que ressaltam seus lados acadêmicos e revolucionários, foram apresentados como homens. Homens com seus medos, angústias, sonhos e paixões.

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A relação de parceria, amizade e companheirismo revolucionário entre Marx e Engels foi delicadamente construída ao longo da película, permitindo ao espectador acompanhar o aprofundamento do laço afetivo e intelectual entre os dois.

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A originalidade na narrativa presente em O Jovem Karl Marx fica por conta do destaque dado pelos roteiristas às companheiras de Marx e Engels. Jenny Marx, tão costumeiramente relegada ao papel de “esposa de Karl Marx” é apresentada como uma grande intelectual e revolucionária que deixou para trás toda uma vida aristocrata de conforto e privilégios pra se unir à Marx na luta pela construção de um novo mundo. Um mundo dos e para os trabalhadores, sem privilégios, sem classes sociais e sem opressão.

Outra novidade mostrada no filme é a existência da companheira de Engels. Mary Burns, apagada pela História, tem sua memória resgatada e contada. Mary não foi “esposa de Engels”. Liderança proletária, Mary apresentou a Engels o mundo cruel vivido pela classe operária na Inglaterra e o auxiliou na obra A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra. Dessa parceria militante e intelectual, surgiu a pareceria para a vida. Mary e Engels foram companheiros de vida e de luta de 1843 até o ano da morte de Mary em 1863.

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No processo de escrita em parceria acerca da exploração capitalista sobre a classe trabalhadora, Jenny e Mary participaram lado a lado junto com os seus companheiros, da divulgação das ideias comunistas e da criação da Liga Comunista.

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Cada uma a sua maneira, Jenny e Mary foram sujeitos históricos muito importantes. Enquanto Jenny e Marx formavam uma família mais tradicional (casados e com filhos), Mary e Engels jamais se casaram por serem contra a família burguesa. Mary optou por não ter filhos. Informação contada pelo filme através de um diálogo muito bem escrito entre as duas personagens femininas.

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Os quatro personagens amadurecem enquanto militantes e intelectuais e aprofundam seus laços afetivos durante o longa metragem. Com a tarefa de levar a classe trabalhadora à tomada de consciência acerca de sua opressão para lutar numa revolução proletária, Jenny, Karl, Friedrich e Mary escrevem em conjunto em linguagem acessível aos trabalhadores, a obra que é um símbolo da luta contra o capitalismo no século XIX. Nascia então, o Manifesto Comunista.

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O Jovem Marx é um excelente filme para quem deseja conhecer a realidade da classe operária na Europa do século XIX, para desmistificar os personagens de Marx e Engels e para trazer à luz a história dessas incríveis mulheres tão à frente de seu tempo. Trabalhadores do mundo, univo-os! E assistam a esse maravilhoso filme.

Helena Rossi

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Resenha: Alice no País das Maravilhas

Oi pessoal! Aqui é a Aleska, gostaria de avisar que a partir desse mês vamos ter colaboradoras no blog e a resenha de hoje foi feita por uma delas: a Helena Alves Rossi, colega minha da faculdade de história, espero que curtam!

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Título: As Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho

Autor: Lewis Carrol

Editora: Zahar

Uma das minhas histórias preferidas na infância é da Alice no País das Maravilhas. Eternizada pela Disney, a personagem me levava para um mundo mágico onde um chapeleiro louco bebe chá com um coelho, o gato vira uma lua e lagartas são filósofos.

Cresci e carreguei o desenho da Disney na memória e também descobri que a Alice verdadeira eu encontraria num livro. Então, sem medo de perder a cabeça ou de estar atrasada, pedi o livro de aniversário. O namorado me presenteou com a versão 3×1. Composto por Alice no País das Maravilhas, Alice Através do Espelho e notas técnicas com análises literárias. A versão que li, também contém as ilustrações originais.

Nesta resenha dissertarei sobre o primeiro livro. Escrito por Lewis Carroll no período vitoriano, Alice no País das Maravilhas, é um presente do autor à garotinha com a qual conviveu nos primeiros dez anos da menina. Nossa querida Alice, são pedaços de memória afetiva do autor com muitos toques de magia.

A história começa com Alice e sua irmã sentada numa ribanceira. Entediada com sua leitura, divagava em seus pensamentos até avistar um coelho branco que falava. Não só falava como olhava o seu relógio. Por estar atrasado, o coelho disparou e Alice correu atrás o seguindo até uma toca que a levaria a um mundo estranho.

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Em poucas páginas acreditamos ser possível crescer ou encolher com uma bebida, falar com animais e viver num Reino comandado por uma Rainha de Copas e seus súditos em forma de cartas de baralhos.

O livro se enriquece com os poemas de Lewis Carroll muito próximos do que viriam a ser chamados no século XX de poemas concretos. Os poemas dialogam de forma harmônica com o restante dos textos. As ilustrações presentes em algumas páginas ajudam os leitores a enxergar o mundo que o autor criou.

A obra Alice no País das Maravilhas transita entre as gerações. Apesar de pensado para um público infanto-juvenil, é uma excelente leitura para nós adultos que precisamos de um pouco de magia em nossas vidas de duras realidades.

Beijos, Helena Rossi.