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BIBLIOTECA DE ALMAS, DE RANSOM RIGGS

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RESENHA: BIBLIOTECA DE ALMAS, DE RANSOM RIGGS

Editora: Intrínseca

351 páginas (na edição sem a capa dura) – Tradução de Fernando Carvalho

“Os limites da terra, as profundezas do mar, a escuridão do tempo, você escolheu todos eles”.

(E.M. Forster – citação que abre o livro)

Biblioteca de Almas, que termina a história de Jacob após a descoberta dos peculiares, é o terceiro volume da trilogia Lar da Senhorita Peregrine para Crianças Peculiares.

Assim como nos livros anteriores as fotografias são a atração à parte. Nas primeiras páginas, temos um glossário de termos peculiares que ajudam a relembrar conceitos necessários para aproveitar melhor a leitura da história que se seguirá.

A narrativa continua a partir do exato momento em que o segundo livro parou, e a tensão também continua… Juntamente com Emma e o cão Addison, um animal peculiar que fala e tem um faro especial para localizar peculiares, Jacob precisa resgatar o restante de seus amigos e a Srta Peregrine, sequestrados por acólitos. Além das crianças que viviam no lar em Cairnholm, peculiares do mundo inteiro e de praticamente todas as fendas foram sequestrados juntamente com as suas ymbrynes e levados para uma fenda conhecida como Recanto do Demônio, local que abriga todo tipo de perversões e vícios. Saindo da Londres contemporânea, o trio consegue encontrar uma fenda e a Sharon, que os ajudará a encontrar a temida fenda.

A narrativa continua com perigos e desafios a cada página, com o trio Jacob, Emma e Addison sendo testado até seus limites físicos o tempo todo.

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Nesta jornada final, novos personagens peculiares auxiliam Jacob e seus amigos a realizar a missão mais perigosa de todas desde que o garoto descobriu o mundo peculiar. Jacob percebe que sua habilidade recém-descoberta é maior e mais poderosa que imagina. E que dela dependerá grande parte do plano para resgatar todos os peculiares mantidos em cativeiro, que precisarão unir forças como nunca para pôr fim ao flagelo infligido pelos acólitos e etéreos. Nesta jornada também podemos ver o amadurecimento de alguns personagens, principalmente de Jacob (como toda boa “jornada do herói”), que além de lidar com os riscos da missão que assumiu juntamente

com Emma e Addison, também tem de lidar com seus conflitos internos: depois que tudo passar, se passar… O que fará de sua vida? Qual mundo escolherá?

Biblioteca de Almas é o livro com mais número de páginas em comparação aos dois primeiros, e também o que carrega mais informações sobre o mundo dos peculiares, que se mostra muito mais extenso do que se imaginava. Riggs envolve os leitores da trilogia neste volume final de forma a compreender a origem de vários acontecimentos narrados nos livros anteriores, conseguindo dar um final satisfatório à jornada de Jacob e dos peculiares.

Da mesma forma que os livros anteriores, fantasia, aventura e as fotografias formam um conjunto que criam esta experiência de leitura tensa até as últimas páginas.

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Cidade dos Etéreos

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Título: CIDADE DOS ETÉREOS, DE RANSOM RIGGS

Editora: Intrínseca

317 páginas – Tradução de Fernando Carvalho

 

“Vindo em um barco em nossa direção

Um velho, com os cabelos brancos da idade,

Gemia: ‘Pobres almas condenadas!

Nunca mais esperem ver os céus,

Vim levá-los para a outra margem;

Para a escuridão eterna; o fogo e o gelo.

E tu, alma viva aí parada,

Afasta-te dessas pessoas, que estão mortas!’

Mas ele viu que não me afastei”…

(Canto III de Dante – Inferno – poema que abre o livro)

 

 “Cidade dos Etéreos” é o livro que dá sequência a “O Lar da Senhorita Peregrine Para Crianças Peculiares”, iniciando exatamente onde o primeiro parou.

Assim como no primeiro livro, há várias fotografias reais, que foram coletadas pelo autor em feiras de antiguidades, eventos especializados e arquivos de colecionadores. Nas primeiras páginas, há registro dos peculiares que aparecerão ao longo da história do segundo livro.

Jacob tomou a decisão de ajudar os peculiares e a diretora Peregrine, que no momento não consegue voltar à forma humana. Como a fenda temporal onde as crianças viviam não foi reiniciada, agora é dia 04 de setembro de 1940 e os peculiares estão remando para longe da ilha, com o objetivo de procurar outras fendas temporais para poder ficar em segurança, além de ajudar a diretora a voltar ao normal.

(Para não dar spoilers a quem ainda não leu o primeiro livro, não revelei todo o motivo da viagem neste parágrafo).

Durante esta busca por outras fendas, Jacob e seus amigos enfrentam um mundo em guerra, passam por várias fendas temporais e conhecem outros peculiares, tanto humanos quanto animais. Um mundo bem maior que a velha conhecida fenda criada pela Senhorita Peregrine se descortina, com muito mais surpresas e perigos… Além de um perigo maior que ameaça todo o mundo peculiar, quiçá o mundo como conhecemos. Jacob também descobre mais sobre a história de seus amigos peculiares e sobre sua própria peculiaridade.

O primeiro livro apresentou um mundo peculiar em uma fenda temporal, a descoberta por parte de Jacob de um mundo novo. Neste segundo livro, Jacob fica mais imerso no mundo peculiar e a narrativa é mais intensa, mais tensa, com novos desafios a cada página, personagens descobrindo sua coragem e arriscando-se para atingir o objetivo da expedição que os levou para fora da ilha em que viveram por décadas.

O livro faz-nos prender a respiração várias e várias vezes, do início ao fim, e nos prepara para o terceiro, que encerrará a história de tal forma que, se o terceiro livro está por perto, a tendência é começá-lo a ler imediatamente após o segundo!

 

Um abraço, da Marina Carla.

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O lar da Senhorita Peregrine para Crianças Peculiares

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Autor Ransom Riggs, Angelo Lessa

Editora: Intrínseca

Ano: 2016

“Sono não é, morte não é;
Quem parece morrer,vive.
A casa em que nasceste,
Os amigos de tua primavera.
Ancião e donzela,
O trabalho diário e sua recompensa,
Tudo desvanece,
Refugia-se em fábulas,
Não podem receber amarras.”

(Ralph Waldo Emerson – Trecho de poema que abre o livro.)

 

Jacob Portman, personagem principal da trama, tem dezesseis anos e trabalha em uma das filiais da rede de farmácias de sua família – coisa que ele odeia fazer, tentando ser despedido de todas as maneiras. Porém, como ele logo narra no início do livro, eventos extraordinários começaram a acontecer, dividindo sua vida em Antes e Depois. É ele quem narra os acontecimentos extraordinários que ocorrem depois de um dia que começou normal – com ele tentando novamente ser despedido – quando um telefonema desesperado de Abe, seu avô ,dá fim ao “antes”.
Jacob presencia seu avô morrer, muito ferido. Também vê algo que mais ninguém vê.. A criatura que matou seu avô.
Antes de morrer, Abe diz a Jacob que ele precisa ir para a ilha, a mesma na qual havia passado parte de sua vida.

Enquanto sua família e seu terapeuta tentam convencê-lo de que o que ele viu foi apenas produto do forte trauma que sofreu, Jacob segue recordando-se das últimas palavras de seu avô e das histórias que ele contava sobre a época da Segunda Guerra Mundial, quando foi acolhido em um orfanato cujas crianças possuíam características consideradas peculiares. Abe havia contado inúmeras vezes estas histórias, chegando mesmo a mostrar fotos para provar que não era apenas imaginação.

Para livra-se da pressão de sua família e poder ter alta das sessões de terapia, Jacob tenta se convencer que todas as histórias de seu avô são apenas isso: histórias. Porém, a curiosidade vence e consegue convencer sua família a deixa-lo passar férias em Cairnholm, local indicado pelo seu avô antes de morrer… E ele descobre que as histórias eram verdadeiras: todas elas.

O livro é muito bem escrito! As descrições dos ambientes, cores e personagens são ricas, permitindo ao leitor visualizar as cenas em sua mente.

Como se não bastasse, o livro traz muitas fotografias instigadoras, em preto e branco, que foram emprestadas por colecionadores. Na realidade, foram as fotografias que inspiraram Ransom Riggsa escrever a história.
Ao final do livro, há uma entrevista com o autor, explicando o processo de criação da história, como obteve as fotografias e outras considerações sobre a obra.

O livro também virou filme: O Lar das Crianças Peculiares foi lançado em 2016, dirigido por Tim Burton.

Tanto o livro quanto o filme são muito bons, porém o livro é mais sombrio.
Há várias diferenças entre o livro e o filme, como a troca de poderes e na idade de alguns personagens, inclusive de Emma, a personagem peculiar que vem a se apaixonar por Jacob. Além disso, como na maioria das adaptações para cinema, há fatos que ocorrem apenas no filme e outros cuja ordem são alterados.

Uma vantagem do filme é que os poderes de cada criança/adolescente habitante do lar da Srta Peregrine aparece, sem um ofuscar o outro (claro que Emma aparece mais, por motivos óbvios), ao passo que no livro alguns personagens não são tão explorados.

Há troca também de algumas personagens que convivem com Jacob antes de ele encontrar o orfanato, como por exemplo a substituição do melhor (e único) amigo dele que o acompanhou quando foi à casa do avô pela sua chefe, Shelly e do gênero do psiquiatra ( no livro é um doutor, e no filme uma doutora).
A caracterização de Alma Peregrine (Eva Green) também chama a atenção no filme, e achei a personagem muito bem interpretada.
Os finais do livro e do filme diferem também, e bastante! O final do livro fica em aberto, pois há mais dois volumes depois deste: Cidade dos Etéreos e Biblioteca de Almas. Já o filme propõe um final mais harmonioso, um fechamento, de forma que se for para realizar uma sequência, também ficaria bem diferente do livro. Porém, isto não impede de gostar da história do livro e do filme também – sou suspeita para escrever sobre, já que sou a eterna chata que sempre prefere o livro ( risos).

Abraços da Marina Carla¹.

 

¹ Marina Carla escreve no blog Devaneios e Desvarios e é nossa convidada para os meses de janeiro e fevereiro.