Séries

Série: American Gods

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Há algumas semanas uma amiga me falou que estava assistindo “American Gods” , série inspirada no livro homônimo do Neil Gaiman que eu estava stalkeando na Amazon por alguns dias. Achei ótimo porque série é mais rápido, já o livro tem que comprar e a gente sempre reclama de espaço né?

Bom, comecei a assistir e achei que o autor baseava a história no seguinte conceito:

Egrégora, ou egrégoro (do grego egrêgorein, «velar, vigiar»), é como se denomina a força espiritual criada a partir da soma de energias coletivas (mentais, emocionais) fruto da congregação de duas ou mais pessoas.[1] O termo pode também ser descrito como sendo um campo de energias extrafísicas criadas no plano astral a partir da energia emitida por um grupo de pessoas através dos seus padrões vibracionais.” Wikkipedia.

Digo isso porque as divindades que aparecem na história lutam entre si para sobreviverem e para isso precisam conquistar seguidores. Nas primeiras tomadas isso fica bem claro porque o narrador exemplifica o conceito por meio de uma lenda viking, mas cada deus novo que é introduzido  reforça essa ideia.

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Nessa briga,os novos deuses estão na vantagem, lógico, mas os antigos não largam do osso também e querem mostrar que ainda são necessários. Nesse contexto, Shadow Moon, um ex presidiário, é recrutado pelos deuses antigos sem saber no que estava se metendo. Tudo indica que ele tem alguma função especial que ainda não foi revelada, mas para saber disso, só vendo a segunda temporada ou lendo o livro.

Sobre o que achei da história, posso dizer que o uso do conceito de egrégora complexificou a trama e achei muito legal reunir deuses nórdicos com deuses africanos, irlandeses, zumbis e poder feminino. É interessante também que não haja nenhum personagem bonzinho demais e todos ali tenham um passado podre com vários “pecados”, mas o mais legal é o questionamento implícito que fica sobre as religiões e as crenças em geral: “será que o poder vem de mim ou de um ser superior?”.

Estou louca para saber o que Shadow vai concluir. E você?

Aleska Lemos.

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livro

Resenha: O Condenado.

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Título:O Condenado;

Autor: Bernard Cornwell;

Ano: 2001, no Brasil em 2011,

Editora: Record.

Sinopse do Skoob:Considerado o melhor romance histórico publicado na Inglaterra em 2001, O CONDENADO apresenta Bernard Cornwell em sua melhor forma, com elementos de literatura policial que resultam em um thriller realista, ambientado na Londres do início do século XIX.
Charles Corday é acusado de assassinar uma condessa de quem pintava o retrato. Esquecido na temida Prisão de Newgate, restam-lhe apenas sete dias de vida antes de ser enforcado. Rider Sandman, um capitão temperamental que vive tempos difíceis depois de participar da Batalha de Waterloo, é convocado para investigar o crime. A investigação o levará a uma emocionante jornada pelos fétidos porões da prisão e pelos perfumados salões da aristocracia londrina. Enérgico e durão, Sandman é hábil com a espada e exímio jogador de críquete. E em sua arriscada empreitada conta apenas com a própria inteligência e um grupo de aliados nada convencionais: Sally Hood, modelo vivo de passado comprometedor; lorde Alexander, um fervoroso reverendo e também amante do críquete; e o velho companheiro de batalha, sargento Berrigan.
Mestre em persoangens marcantes, Cornwell faz desse grupo um quarteto inesquecível, que luta contra nobres ricos e cruéis, a fim de salvar a vida de um inocente. Apontado como o melhor escritor de romances históricos de sua geração, o autor combina o gosto por detalhes com um enredo de tirar o fôlego e um estilo cujo realismo é por vezes chocante.

Como todo livro do Cornwell, O condenado,  foi bem fundamentado historicamente, mas a história não é boa apenas por isso. O autor é muito bom em construir personagens sólidos e foge de descrições planas. Digo isso porque apesar de alguns apresentarem bom caráter, não há uma viva alma literária ali que seja perfeita. Todos são complexos e nenhum é inocente demais a ponto de parecer trouxa o tempo todo.

É possível dizer que a malícia reina nas linhas de Cornwell, principalmente porque ele fala da realidade dos enjeitados da Inglaterra, ou seja todos os tipos de pessoa que vivem à margem da sociedade: atrizes, prostitutas, ladrões, artistas, gays e por aí vai. Mostra como a realidade era dura e como as pessoas sempre dão um jeitinho de contornar as dificuldades.

Outra coisa que sempre atrai na  escrita do autor e que está bem presente nesse livro, é o senso crítico. Tanto a religião quanto as classes abastadas aparecem sob um viés bastante racional, o que pode gerar um desconforto inicial, mas que vai te levar a pensar de uma forma diferente.

Quanto ao enredo, bem  foi uma novidade para mim. Estava acostumada a ler livros dele sobre guerras e este no fim foi de mistério. Não achei ruim essa incursão num novo estilo, mas acho que Sandman não é nenhum Sherlock Holmes, na verdade é um cara que precisa de dinheiro, mas por causa da sua honra não consegue deixar um inocente ser enforcado e banca o detetive.

No início Rider me pareceu meio “cru” no ramo investigativo, mas a trama é boa, prende e te dá vontade de saber se Corday vai ou não morrer. Fiquei também com curiosidade para saber se o personagem vai ajudar a evitar que inocentes morram em Newgate no futuro ou vai se juntar a Berrigan e Sally no tal negócio que desejam montar (o que seria uma pena).

Espero que tenham gostado da resenha e anotado a dica. Grande abraço,

Aleska Lemos.

livro

Resenha “A Rosa e o Florete”

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Título: A Rosa e o Florete.

Ano:2016

Editora: Novo Século,

Autora: Mariana Pacheco.

Guilhermina D’anjour é filha de uma austríaca e de um comandante da guarda real francesa. Quando o pai morre deixa em testamento um pedido ao rei Luís: “coloque minha filha em meu lugar”.

Treinada desde os sete anos no manejo do florete Mirna, como o narrador a chama, está pronta para o serviço, mas precisa convencer ao rei e derrotar setenta soldados em combate.

Comprei a história de Mirna bem empolgada na livraria Nobel há alguns meses. A sinopse era bem interessante e eu adoro mulheres protagonizando em meios tidos como exclusivamente masculinos. Então parecia que era meu destino ler a história escrita pela Mariana, mas descobri que tenho algumas coisas a criticar em seu trabalho. Vamos lá:

A autora tem uma escrita madura e segura e de forma nenhuma dá aquela impressão de que “já li esse livro com outro nome e outros personagens” porque seu estilo difere da maioria das autoras contemporâneas, porém o livro é morno, com quase nenhuma emoção. Na minha humilde opinião, é um defeito grave pois o texto trata de um momento histórico onde os ânimos estavam exacerbados: A Revolução Francesa. Era preciso que os momentos críticos fossem mais bem descritos, tinha que ter detalhes das lutas, dos discursos, dos enfrentamentos etc, mas a autora opta por uma narrativa quase harmônica sem chegar a um ápice.

De modo geral, acho que em nenhum dos momentos tratados do livro ela se aprofunda em algo. Faltou fazer um recorte do período histórico porque ela trata em único livro de toda a vida da Guilhermina (exatos 60 anos) do nascimento ao falecimento, passando pela Revolução Francesa e pelas Guerras Napoleônicas. Num capítulo Guilhermina tem 7 anos e no outro já tem 10 e está perdendo um dos pais. De repente se a autora tivesse dividido a história em duas partes teria sido melhor sem dar essa pressa para os fatos se desenvolverem.

Nesse aspecto o que mais quebrou a minha expectativa é que Mirna vence setenta soldados e a descrição das batalhas é quase nula. Faltou pesquisar luta de espadas no YouTube para narrar as lutas. Nessa altura da história outra coisa me desapontou um pouco: todos, com a exceção de um soldado, aceitaram na boa ter uma mulher como comandante, ao contrário do que eu imaginaria, pois ser derrotado por uma adolescente deveria ter ferido o orgulho deles e criado muitos problemas para a moça. No entanto a autora opta por formar um grupo parecido com os “três mosqueteiros” onde Mirna era a mandachuva.

Fora isso, acho que Mariana pode ter um grande futuro como escritora. Não sei se é seu primeiro livro, mas o domínio que apresenta dos elementos narrativos (personagens, enredo, narrador etc) deixaram a trama bem amarradinha. Para ficar perfeito, sugiro apenas que passe mais tempo descrevendo as partes mais importantes sem ter pressa de terminar.

 

Aleska Lemos.